O desafio da qualidade no EaD Brasileiro
- Claudio Jacoski

- 14 de mar. de 2025
- 2 min de leitura
Nos últimos anos, a educação a distância (EaD) tem experimentado um crescimento exponencial no Brasil. Entretanto, essa expansão, longe de ser apenas um avanço na democratização do ensino superior, também trouxe desafios significativos para a qualidade educacional. Várias Associações, entre elas a Associação Brasileira das Instituições Comunitárias de Educação Superior (ABRUC) tem se posicionado de forma crítica e propositiva em relação ao modelo atual de regulação do EaD, apontando riscos e sugerindo melhorias essenciais.
Para a expansão descontrolada do EaD, incentivada por normativas que facilitaram a proliferação de polos de apoio sem a devida estrutura acadêmica e pedagógica, resultou em um cenário onde grandes grupos empresariais passaram a dominar o setor, frequentemente priorizando a rentabilidade em detrimento da qualidade. A associação alerta que essa abordagem tem levado à precarização das condições de trabalho de docentes e tutores, ao enfraquecimento dos polos presenciais e à formação deficiente de profissionais em áreas que exigem práticas presenciais e supervisão adequada.
Entre as principais reivindicações estão a revisão da regulamentação vigente para garantir uma distribuição territorial mais equilibrada dos cursos, a exigência de infraestrutura mínima nos polos de apoio e a imposição de limites mais rígidos na relação aluno/tutor, prevenindo a desumanização do processo educativo. A entidade também destaca que o EaD deve respeitar as Diretrizes Curriculares Nacionais, assegurando que cursos como os da área da saúde, licenciaturas e engenharias mantenham um padrão de qualidade equivalente ao ensino presencial.
A política de expansão do EaD no Brasil deve passar por um processo de reavaliação criteriosa, incorporando mecanismos de controle de qualidade mais eficientes e incentivando boas práticas. O foco deve estar na garantia de uma formação superior que atenda às demandas do mercado de trabalho e às necessidades regionais, evitando a padronização excessiva dos currículos e a desconexão com as realidades locais.
A discussão sobre a qualidade do EaD não pode ser reduzida à simples expansão de vagas e ao acesso facilitado à educação superior. Como ressalta-se aqui, a sustentabilidade do modelo a distância depende de uma regulação eficaz e de um compromisso coletivo com a excelência acadêmica. Sem essas premissas, o risco é que a EaD se transforme em um mecanismo de formação precária, comprometendo a credibilidade do ensino superior brasileiro e a empregabilidade de seus egressos.

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